???O funk hoje é totalmente brasileiro???

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Como um dos responsáveis pelo crescimento do funk, produtor avalia o gênero 25 anos após sua ascensão.

C-G

Como um dos personagens mais importantes da cultura funk brasileira, o DJ Dennis abriu o verbo sobre a história do gênero, em entrevista ao Magazine. Atento às mudanças sonoras dos últimos anos, ele falou sobre a evolução sonora do funk, recriminou a “baixaria” na música e contou curiosidades de trabalhar com estrelas como Ronaldinho Gaúcho, além de revelar novidades do seu próximo disco, previsto para 2016.


Tendo um histórico de quase 25 anos no funk, como você observa as mudanças do gênero nesse período?

O funk hoje está cada vez mais profissional. Além disso, mudaram o estilo das batidas. O funk hoje é totalmente brasileiro – não é como era em 1980 e 1990, quando era muito Miami Bass, não o funk original de James Brown. Naquela época o pessoal precisava do vinil para fazer beats, para criar um refrão. Hoje você só precisa da internet e olhe lá. Hoje o Naldo tem um mega show, a Anitta também. No “Baile do Dennis” já tive equipe com 40 pessoas. O funk entrou também para o que as pessoas chamam de mercado, gerando emprego, movimentando muita grana, essas coisas.

Como é seu processo de compor uma música? Eu geralmente escrevo e faço batidas pensando no artista que vai cantar minha música. Para o Wesley Safadão, por exemplo, eu fiquei vendo vários vídeos dele no Youtube para compor a música “Agora Pegou”. Aí prestei atenção nos trejeitos do cara, as palavras que ele gosta de usar e tudo o mais. Nisso, eu insiro as minhas palavras, referências que gosto mais, e faço uma junção de Wesley Safadão e DJ Dennis. Quase todas são assim.

 

E você escuta de tudo ou tem alguma coisa que não toca no seu som?

Olha, até antes de trabalhar com sertanejo, eu tinha preconceito com a música. Hoje eu gosto. Ouço Jorge e Mateus, Luan Santana, o próprio Wesley Safadão toca no meu carro e gosto mesmo. Eu era bem vidrado no funk, só ouvia funk. Mas com certeza outros gêneros abriram minha cabeça. Até o que você pensa que pode ser ruim, vai te acrescentar. É o que aprendi como produtor.

Tem alguma coisa que te desagrada no funk?

Eu sou contra o pessoal que aproveita o funk para fazer baixaria, apelação. Isso não é funk, eu posso te garantir. É puro e simples oportunismo.

No seu convívio com vários MCs famosos, alguma vez você teve exigências ou problemas com esses artistas para criar um hit?

Ah, não. O pessoal do funk me conhece há anos, todo mundo colabora muito com todo mundo. Mas já rolaram histórias engraçadas. Na música do Ronaldinho Gaúcho, “Vamos Beber (Joga o Copo pro Alto”), o João Lucas e o Marcelo botaram para tocar a versão demo numa festa com o Ronaldinho. Aí dizem que ele pirou no refrão e sugeri chamar ele para participar. O problema é que tive que sair do Rio para gravar o vocal dele aí em Lagoa Santa, porque na época ele estava no Atlético-MG e andava mais recluso. Foi engraçado porque nunca havia feito isso para gravar um refrão. Mas ele exigiu.

E seus planos para 2016?

Para o ano que vem eu estou bastante concentrado no meu novo CD, que vai reunir Lucas Lucco, MC Livinho, Wesley Safadão. Espero lançar para o Carnaval bombar.

Fonte: otempo.com.br

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