Funk ostentação substitui Porsche por Volkswagen

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Ao invés de incentivar a aquisição de carrões dos sonhos, as músicas dão lugar a carros mais baratos.

A crise econômica brasileira está criando na periferia paulistana um fenômeno: o funk chavoso, um subgênero do funk ostentação. O movimento  prega em suas letras um consumismo mais próximo da realidade da classe C. 

Ao invés de incentivar a aquisição de carrões dos sonhos, modelos importados e de luxo que só os grandes astros têm acesso,  as músicas dão lugar a veículos também ao alcance de poucos, mas bem mais baratos. Assim, saem a Ferrari, comercializada por cerca de R$ 2 milhões, e o Porsche, de R$ 1 milhão, e entra o Volkswagen Jetta, que custa R$ 70 mil. 

No novo estilo de funk, as marcas de acessórios e calçados mencionadas nas letras também tornaram-se menos exorbitantes.  Grifes usadas por estrelas internacionais como Madonna e Gisele Bundchen foram substituídas por marcas juvenis encontradas em qualquer shopping de São Paulo. 

“Um dos maiores fenômenos musicais dos últimos anos está em crise. Nascido no ano de 2008 em Cidade Tiradentes (Zona Leste), o funk ostentação é cada vez menos ouvido entre o público que o consagrou, a juventude da periferia”, disse o diretor e produtor cultural Renato Barreiros, um dos principais conhecedores do movimento na capital.  

De acordo com ele, a diminuição no dinheiro no bolso do brasileiro é responsável pela mudança de comportamento e das letras. “Quando ele surgiu, o movimento teve seu ápice acompanhando a ascensão da nova classe média”, disse.

Ainda segundo Barreiros, outro duro golpe foi a ampliação dos “fluxos”, os bailes de rua chamados de pancadões. “Eles despencaram a demanda por MCs, pois os pancadões são realizados apenas com a aparelhagem de som dos próprios carros, sem apresentações ao vivo”, disse.

Pés no chão/ Um dos  expoentes do novo estilo, Danilo dos Santos, o MC Boy, de 24 anos, classificou o estilo chavoso como “um funk ostentação com os pés no chão”. “Para quem é da periferia, ter uma Ferrari só por milagre. Já um Jetta, que é um carro de respeito, é um sonho alcançável.”

As jornalistas Thamara Marinho, Roberta Rossi e Gabriela Bávaro, todas de 23 anos, estão escrevendo um livro sobre o funk chavoso. “Os jovens descobriram que é frustrante sonhar com aquilo que nunca terão”, disse Gabriela. 

 

Fonte: diariosp.com.br

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