Dennis DJ, o 'David Guetta do funk', fala sobre parcerias vips e carreira

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Criador de hits como 'Louca Louquinha' e 'Vamos beber', revelou o motivo que o levou a querer estar à frente de sua carreira: 'Muitas decepções'

Dennis DJ (Foto: Isac Luz / EGO)

Você pode até não conhecer o nome Dennis DJ mas com certeza já ouviu algum de seus sucessos no funk. O produtor, compositor e ex-empresário está por trás de músicas como “De segunda a sexta”, de Jonathan Costa, “Cerol na mão” e “Tapinha não doi”, e faixas mais recentes em parceria com Wesley Safadão, Lucas Lucco e Nego do Borel que misturam o ritmo com sertanejo, arrocha e música eletrônica.

Nascido em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, nos início dos anos 1980, Dennis cresceu no berço do funk e na sua primeira matinê descobriu a vontade de comandar o som nas festas. “Enquanto meus amigos ficavam no paredão para ‘pegar as menininhas’, eu ficava só do lado do DJ. Quando eu vi ele tocando, fiquei maluco com os discos. Eu fiquei fascinado com aquilo e queria ir toda semana para ficar do lado do DJ. Foi assim que começou”, contou ele em entrevista aoEGO, em seu estúdio no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro.

Assim como muitos DJs em início de carreira, ele fez muitos aniversários de 15 anos, casamentos e após uma participação em uma festa na cidade onde nasceu, foi convidado para tocar em uma rádio local. Nesta rádio ele descobriu os estúdios de produção musical e começou a trabalhar como produtor para amigos e clientes da emissora. “Essas produções que eu estava fazendo chamaram atenção da Furacão 2000 e me chamaram para trabalhar com eles. Eu fiquei lá durante quatro anos produzindo e as músicas fazendo sucesso no nosso mundo. Só que de 1999 para 2000, eu consegui fazer um CD que explodiu no Brasil inteiro que tem ‘Cerol na mão', ‘Tapinha não dói’, ‘De segunda a sexta’ e outras”, diz Dennis, sobre o álbum que catapultou sua carreira como produtor.

Em 2003 ele deixou a Furacão e decidiu montar seu próprio negócio em casa: “O Mr. Catra e o Sapão iam na minha casa direto. No começo, foi muito difícil  deixar aquela megaestrutura mas eu decidi arriscar e apostar na única coisa que eu tinha: o meu talento”.

Apesar do sucesso das músicas que produzia, Dennis contou que decidiu aparecer como o artista principal por conta de problemas com os cantores dos hits criados por ele. “Eu tive muitas decepções. Quando os artistas estão começando, prometem o mundo e depois que estouram, ninguém mais lembra de você. Estourava o sucesso, eles conseguiam o que queriam e depois saíam fora. Então eu pensei: ‘Eu tenho que criar um artista que não me traia, e esse artista sou eu’”

A grande mudança de sua carreira aconteceu após um show do DJ David Guetta. “Depois de ir a um dos primeiros shows dele aqui no Rio, fiz uma pesquisa sobre o trabalho dele e vi que tudo que ele faz, eu também fazia há anos, que é produzir os artistas, compor e fazer parcerias”, afirmou ele que é conhecido como ‘David Guetta do funk’. “Eu levo esse apelido numa boa, para mim é um elogio. O cara é mundialmente conhecido, admiro muito a trajetória dele e respeito muito porque é um cara que quebrou o preconceito”.

Funk e preconceito
Misturando o funk a outros gêneros, as músicas de Dennis já se tornaram verdadeiros hinos nas noitadas pelo Brasil. No entanto, ele diz que o preconceito e rejeição em relação ao ritmo ainda existem. “Eu acho que isso é da galera antiga, as pessoas da nova geração já não estão mais com essa ideia. Os novos advogados, os novos médicos, ninguém vai ter vergonha de falar que gosta de funk”, acredita ele, que pondera: “Mesmo assim, ainda existe um pouco de preconceito. Eu ia tocar dentro do Rio Music Conference (Festival de música eletrônica que aconteceu entre janeiro e fevereiro) e tinha gente dizendo que o funk não é música eletrônica. Então o funk é o que? Bossa nova? É violão? É acústico? O funk é puro eletrônico. Eu mesmo misturo tudo com funk, do sertanejo, forró, EDM... Eu não tenho preconceito com nada e acho que é por isso que o público aumenta cada vez mais”, afirmou.

Parcerias
O sucesso da experiência com outros gêneros musicais levou o DJ a fazer muitas parcerias. No inusitado e certeiro mix de referências, Dennis já compôs e produziu entre outras: "Louca Louquinha", a canção mais executada no Brasil em 2013, “Vamos beber – Joga o copo pro alto”, de João Lucas e Marcelo com participação do jogador Ronaldinho Gaúcho e “Na farra” com Wesley Safadão.

Sobre o assunto ele conta: "Eu comecei convidando a galera, foram assim com as primeiras músicas. Um tempo depois eu fui fazer um show e o Lucas Lucco também iria se apresentar. Quando eu acabei, a produção dele me chamou dizendo que ele queria me conhecer. Quando cheguei no camarim, ele me mostrou uma música que ele tinha feito. Então, ele me convidou, esse foi meu primeiro convite que eu recebi", diverte-se.

Com tantos hits nas rádios e shows pelo Brasil, a agenda de Dennis anda lotada. Prova disto, é que no dia 31 de dezembro, Dennis se desdobrou e tocou no réveillon da Avenida Paulista, em São Paulo, para cerca de um milhão de pessoas, e logo depois, seguiu para Búzios, no Rio de Janeiro. O sucesso deve deixar muita gente pensando que a conta bancária deve seguir o exemplo de uma de suas letras mais conhecidas: "Eu estou cheio de dinheiro, vamos beber".

Mas, mantendo pé no chão, ele responde: "O que eu tenho dá para viver. Já tem um tempo que vivo bem. Agora que eu apareci, as pessoas acham que eu estou ganhando muito mas eu tenho minha casa e meu carro há bastante tempo. Apesar de algumas pessoas acharem, eu não comecei agora. Eu sou compositor, eu sou produtor, já fui empresário de artistas. Já fiz muita coisa e nunca parei".

Dennis DJ (Foto: Isac Luz / EGO)

 

Fonte: ego.globo.com 

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